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Estudo Revela Que Silicone Usado Em Próteses Da Empresa Francesa PIP Não É Tóxico

O Serviço Britânico de Saúde divulgou uma boa notícia para quem tem nos seios as próteses de silicone da empresa francesa PIP (Poly Implant Prothese), que há dois anos foi acusada de usar material tóxico e cancerígeno em seus produtos. Segundo um estudo realizado por uma equipe de especialistas na Inglaterra, liderados pelo médico Bruce Keogh, as próteses de silicone da PIP não contém material tóxico e não representam a longo prazo um risco a saúde das mulheres.
No entanto, os médicos alertam para o fato de que as próteses da PIP apresentam um padrão de qualidade inferior quando comparados a outros produtos e, por isso, têm mais chances de ruptura e vazamento. E aconselham as mulheres a avaliarem a possibilidade de removê-las, principalmente no caso de apresentarem algum sintoma de ruptura, como dores ou nódulos.
Os problemas com as próteses da PIP - que até então era terceira maior fabricante de implantes de silicone do mundo, usados por cerca de 400 mil mulheres em 65 países -, ganharam dimensão internacional em 2010, quando se descobriu que a empresa usava silicone industrial não liberado para uso médico.
O escândalo levou a prisão o dono da empresa, Jean Claude Mass, e as mulheres com as próteses da marca foram aconselhadas a fazer a remoção, sob o risco de sofrer graves danos a saúde. Agora, após a divulgação do estudo realizado na Inglaterra, ficou provado que o silicone usado pela PIP não é tóxico, embora as próteses não sejam de boa qualidade.

Notícia publicada no site do TERRA em 18.06.2012:

Após uma polêmica que se espalhou por diversos países no ano passado, quando se divulgou que as próteses de silicone da empresa francesa PIP eram tóxicas, um relatório britânico apresentado nesta segunda-feira (18/06/2012) indica que o material usado nos implantes da marca não oferece riscos à saúde.
As revelações chegam mais de dois anos depois que o escândalo tomou grandes proporções e muitos países chegaram a suspender a venda dos produtos e orientaram milhares de mulheres que tinham próteses da marca a retirá-las.
Em 2011 o dono da Poly Implant Prothese (PIP) chegou a ter prisão decretada pela Justiça da França, após a descoberta de que seus produtos continham silicone industrial que poderia causar câncer e que tinham alto risco de ruptura.
O estudo do Serviço Britânico de Saúde (NHS, na sigla em inglês), liderado pelo diretor médico Bruce Keogh, diz agora que o material usado nas próteses da PIP não são tóxicos nem cancerígenos, embora tenha reiterado que a taxa de ruptura do produto é, de fato, duas vezes maior do que a normal.
Cerca de 47 mil mulheres têm os implantes da PIP na Grã-Bretanha e por volta de 95% delas fizeram a cirurgia em clínicas privadas. A minoria teve as próteses colocadas pelo NHS em operações de reconstrução das mamas em casos de câncer.
Ainda em janeiro a equipe de Keogh havia indicado que não acreditava ter provas suficientes para recomendar a retirada das próteses.
O médico diz que muitos testes em diferentes países "mostraram que os implantes não são tóxicos e portanto não acreditamos que eles representem uma ameaça de longo prazo à saúde das mulheres que possuem os implantes PIP".
"No entanto, concluímos que estes implantes têm um padrão de qualidade inferior e quando comparados a outros produtos têm uma chance maior de ruptura. Portanto, recomendamos que as mulheres que possuam sintomas de uma ruptura -por exemplo maciez excessiva, dores ou caroços- consultem seus cirurgiões ou clínicos", acrescentou.

Cautela

Fazel Fatah, presidente da Associação Britânica de Cirurgiões Plásticos, avalia os resultados com cautela e diz que as pacientes devem ter resguardado seu direito de remover os implantes.
"Apesar dos testes rigorosos mostrando que não há riscos de danos à saúde humana de longo prazo devido aos elementos químicos presentes no gel, permanece o fato de que as [próteses] PIPs têm chance significativamente maior de romperem e vazarem e, portanto, causarem reações físicas em uma proporção inaceitável para as pacientes", indica.
"Concordamos com os resultados do relatório de que a ansiedade por si mesma é uma forma de risco à saúde e por isso é inteiramente razoável que as mulheres tenham o direito de removê-las -independentemente de ter havido uma ruptura", acrescenta.
De forma geral, em toda a Grã-Bretanha todas as mulheres que tiveram implantes PIP colocadas pelo NHS podem removê-las e substituídas de graça.
No País de Gales, o NHS também substitui as próteses de mulheres que as colocaram em clínicas particulares. Na Inglaterra e na Escócia o NHS não fornece novos implantes de forma gratuita.

Escândalo

No Brasil, a importação de próteses de silicone está suspensa pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) desde o dia 22 de março até que o Inmetro crie um sistema de avaliação de qualidade e os fabricantes passem pelos testes para obter um selo de aprovação.
Em março de 2010, a PIP foi fechada na França após descobrir-se que suas próteses continham silicone industrial não liberado para uso médico.
Seu dono, Jean-Claude Mass, de 72 anos, foi preso durante as investigações e depois libertado, mas voltou a ser detido em março de 2012 após não conseguir pagar a fiança de 100 mil euros (R$ 230 mil). Ele admitiu ter usado o silicone impróprio por ser "mais barato e melhor", mas insistiu que eles não são perigosos.
O caso ganhou dimensão internacional em dezembro de 2011, quando o governo francês aconselhou que todas as 30 mil mulheres com as próteses da marca no país deveriam retirá-las em procedimento cirúrgico, como medida preventiva.
Até então a terceira maior fabricante mundial de implantes, a PIP, fundada em 1991, produziu ao longo de quase 20 anos próteses usadas por 400 mil mulheres em 65 países.
Muitos países também aconselharam que os implantes mamários da marca fossem removidos.